CCC Entrevista: Gabriel Torres

Seguindo o post anterior sobre o e-book  Mitos do Dinheiro, gabriel torres cada centavo conta foto2aqui vai a entrevista com o professor e best seller Gabriel Torres. São perguntas que complementam o recente trabalho e vão fazer que vocês conheçam um pouco mais sobre esta importante figura do empreendedorismo brasileiro. Veja abaixo!
CCC – Apesar de eu possuir uma vida estável e com crescentes investimentos, ainda não tenho liberdade financeira, que é quando não se precisa mais trabalhar, vivendo apenas de renda. Sei que você conquistou este patamar em 2006, certo? Como foi para você este momento? Houve alguma guinada na sua vida pessoal ou profissional ou apenas uma continuidade?
Gabriel – Foi apenas uma continuidade. Na realidade só percebi que tinha atingido esse patamar dois anos depois. Eu sempre fui um workaholic e decidi diminuir meu ritmo de trabalho e passar a delegar mais apenas em 2013, e só agora estou começando a usufruir disso. O que eu quero dizer com isso é que mesmo atingindo essa patamar, não significa que você irá parar de trabalhar. Um dos meus maiores desafios sempre foi trabalhar menos, me divertir mais e ter uma vida social mais ativa. Para aqueles que, como eu, trabalham com aquilo que gosta, é muito difícil.

 

CCC – Na minha adolescência e quando jovem (também nasci em 1974) sempre pratiquei kung fu e sei da importância da disciplina e prática de esportes. Como sua vida de “nômade” permite que pratique o Taekwondo? Faço esta pergunta pois entendo que esta prática ainda continue importante para você.
Gabriel – Eu estou extremamente decepcionado com o Taekwondo, para te falar a verdade, pois virou um grande comércio, os praticantes só querem saber de ter uma determinada graduação por status e simplesmente deceparam a arte marcial em nome de transformá-la em um esporte olímpico, além do problema endêmico de corrupção e baixo nível cultural entre os dirigentes do esporte no Brasil e no mundo. Fora do Brasil praticamente não existe mais Taekwondo “de verdade”, e por isso estou afastado (e muito triste). Tento me exercitar com caminhadas e atividades ao ar livre, e academia de musculação mesmo.

 

CCC – Diariamente eu gosto de fazer uma série de alongamentos, meditação e depois escolher algum tópico para estudo ou escutar algum podcast,  antes mesmo de tomar café da manhã e ir para o trabalho. Você possui alguma rotina diária? Se possui, qual é? Gosto de perguntar isso, pois é importante saber, de pessoas de sucesso, se existe alguma rotina que também possa ser seguida por outros e traga benefícios para a saúde física e mental.
Gabriel – Cada pessoa deve descobrir a rotina que faça o seu dia “render mais”. Eu trabalho melhor pela manhã, então eu trabalho pela manhã, respondendo emails, respondendo mensagens no Fórum do Clube do Hardware, coordenando o pessoal que trabalha comigo, resolvendo problemas técnicos, etc.
Eu tento fazer exercícios a tarde, pois descobri que é o horário em que me sinto melhor praticando exercícios.
Eu sempre estou lendo algum livro (normalmente a noite), e agora com o Kindle é ótimo porque não preciso mais esperar o livro chegar ou ter de ir até uma livraria, além de não ocupar espaço. Assino algumas revistas, que leio no tablet.
E uma coisa que eu sempre faço antes de dormir é pensar sobre tudo o que aconteceu no dia, de bom e de ruim, e quais pensamentos e comportamentos que eu tive durante o dia me afastaram das minhas metas e objetivos, e o que eu posso fazer para melhorar como pessoa.

 

Os mitos do dinheiro: o caminho para a sua independência financeira

 

CCC – Qual a sua opinião acerca deste “novo mercado”, por assim dizer, das fintechs? Empresas normalmente gerenciadas por jovens que oferecem serviços financeiros inovadores como, por exemplo, o Biva. Acredita que é uma disrupção do mercado tradicional que veio para ficar ou modismo que tenda a perder a força?
Gabriel – Nunca tinha ouvido falar, vou ter que pesquisar.

 

CCC – Partindo da sua experiência e do alcance da tecnologia atualmente, qual seu conselho para quem quer começar a trabalhar visando principalmente a área de empreendedorismo que você conhece muito bem?
Gabriel – Você tem que ser único de alguma forma. A maneira mais certa para o fracasso ou para se manter na mediocridade é tentar fazer o que todo mundo já está fazendo. Brasileiro adora modismo. A cada verão aparece um modismo e um bando de gente vai lá abrir negócio sei lá de que só porque está todo mundo abrindo. Em pouco tempo o mercado fica saturado e quase todos quebram…
Mas você não precisa fazer algo mirabolante e novo. Você pode abrir um negócio em um ramo que já exista, mas faça diferente, tenha um diferencial que vá te destacar. Só um exemplo simples. O atendimento ao consumidor no Brasil ainda é péssimo, então se você abrir um negócio e tiver um atendimento “de primeiro mundo”, você já se destacará.
Infelizmente uma coisa que é muito comum no Brasil é o pessoal se comparar com concorrentes e vícios locais. Por exemplo, o atendimento da empresa do camarada é ruim, mas como o dos concorrentes é pior ainda, ele acha que está bom. Ou então ficar vendo o que a concorrência está fazendo e vai lá e imita. Seja você mesmo!
Uma ideia interessante seria viajar para os EUA de férias e observar como é o atendimento por lá, não só nas empresas do mesmo ramo em que você pretende atuar, mas de uma forma geral. Por exemplo, por lá, funcionários são treinados para chamar todo mundo de “senhor” (“sir”) e “senhora” (“ma’am”), independente da idade, de como a pessoa está vestida, da posição social, etc.
Além disso, não posso deixar de recomendar o curso Empretec e que você aprenda inglês.

 

CCC – Aproveitando a pergunta anterior, qual o conselho que você daria para você mesmo com 20 anos de idade? E com 30? Certamente o conselho que eu daria para mim mesmo mais jovem seria ter experiencias de trabalho e vida fora do Brasil, que hoje vejo como essencial, porém, digamos que acabei perdendo este “bonde”.
Gabriel – Eu não sei muito bem o que eu poderia dizer, pois aos 20 anos a gente acha que sabe tudo e não temos medo de nada, o que me possibilitou ter a carreira e o sucesso que eu tenho. Talvez falaria apenas para ser mais humilde e ser menos “metido”.
Aos 30 eu já não sei o que eu falaria… Pois tenho 41 hoje mas ainda acho que tenho 30!
Pois é difícil, a gente não tem bola de cristal. É fácil chegar e falar hoje que eu poderia ter feito isso ou aquilo, mas na época, eu não tinha como saber o futuro. Por exemplo, eu morei seis anos nos EUA e, sabendo o que eu sei hoje, eu teria me mudado para a Austrália, e não para os EUA. Ao mesmo tempo, se eu não tivesse morado nos EUA, eu não saberia dessa minha preferência e talvez estivesse morando na Austrália frustado de não ter ido para os EUA…

 

CCC – Novamente analisando sua experiência em empreender e na área de informática qual sua previsão para o mercado dentro de cerca de 20 anos, na perspectiva não somente tecnológica mas também na relação que as pessoas terão com o trabalho?
Gabriel – Espero que as pessoas acordem para a questão da qualidade de vida. Por exemplo, mais gente trabalhando a partir de casa para ter mais tempo para si e para a família. Vivemos hoje na era da informação, mas ainda são muito poucos que realmente entenderam que a forma de ganhar dinheiro “de verdade” hoje é com o conhecimento e não com o trabalho braçal. Espero que mais gente acorde para perceber que tempo é o ativo mais precioso que temos e que muita gente perde um tempo que não volta no trânsito e com tantas bobagens supérfluas.
CCC – Das dezenas de livros que você já leu quais seriam aqueles que mais recomendaria? Pode ser tanto na área de finanças mas também pode incluir autoajuda ou qualquer livro que realmente tocou você de alguma forma positiva.
Gabriel – A lista está aqui: http://www.terremoto.com.br/tag/indispensavel/

 

Gostaram? Eu gostei bastante e não resisti de fazer alguns comentários.
  • Para quem faz realmente o que gosta, a liberdade financeira é apenas uma continuidade. Já para quem trabalha principalmente para pagar as contas, deve pensar muito em como será a nova rotina quando não precisará trabalhar mais. Isso fico claro quando muitos aposentados, após décadas de trabalho, não sabe o quer fazer com o tempo livre.
  • Como o Gabriel, também gosto de artes marciais e concordo com a dificuldade que ele mencionou. O lado comercial acaba falando mais alto e a direção ficando nas mãos de pessoas com pensamento restrito. Eu li a autobiografia do Chuck Norris* e ele já reclamava isso nos anos 70.
  • “E uma coisa que eu sempre faço antes de dormir é pensar sobre tudo o que aconteceu no dia…”. Achei excelente este último parágrafo da resposta. Assim, acredito que o Gabriel deva acordar renovado para tocar todos os seus projetos e tentar fazer o seu melhor a cada dia. É muito importante que todos tenham alguma rotina, que levem a hábitos saudáveis e uma mente mais focada.
  • Fintechs estão se tornando cada vez mais populares em vários países, principalmente nos EUA. Aqui no Brasil temos várias iniciativas que pretendo falar no CCC em outros posts.
  • Trabalho do futuro? Segundo Gabriel a nova alternativa – trabalhar em casa e ficar mais próximo da família e longe de engarrafamentos enormes – prezando o tempo e o conhecimento será a grande mudança que nossa sociedade precisa. Exatamente o que prega o CCC!
Então agora façam os seus comentários e caso queiram comprar o livro, por um preço bem baixo, é só clicar no banner abaixo.
* The Secret of Inner Strength. Chuck Norris e Joe Hyams.
Links de interesse:
Empretec
Blog Terremoto
Clube do Hardware

 

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escrito por Fred

Fred

Sou profissional de informática com mais de 10 anos de experiência na área e tenho grande interesse em educação financeira e investimentos. Sou também criador do blog Cada Centavo Conta sobre educação financeira e oportunidades na Internet. Tenho como Hobbies a leitura de histórias em quadrinhos e ficção científica.

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